PEÇA EM UM ATO

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Prêmio FNLIJ:
Melhor livro de teatro de 2005

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Você já imaginou o que seria, se cada pedra pudesse conter um universo?
Já reparou que o planeta Terra é também uma grande pedra, pois é constituído de minerais?
O menino e a menina protagonistas dessa peça de teatro aprendem, a duras penas, que se deve prestar mais atenção às pedras. Por causa de uma simples brincadeira, atrapalham o andamento de quatro mitos importantes: um mito japonês, um tupinambá, um maori e um grego.
Com a ajuda de uma mulher misteriosa e de um portal mágico, eles têm de viajar no tempo e no espaço para tentar resolver a situação... pedra por pedra.

MITOS INTERROMPIDOS POR QUATRO PEDRAS,
ATIRADAS EM LUGARES ERRADOS.

MITO DE AMATERASU - Japonês

No começo dos tempos, existia apenas o oceano. Um dia, do oceano nasceu um junco, que se tornou o senhor da Terra. Depois surgiram os deuses, entre eles a deusa Izanami e o deus Izanagi. Eles subiram na Ponte Flutuante do Céu e usaram uma lança enfeitada de jóias para mexer o mar. A água do mar coagulou e formou a ilha de Onogoro; lá, Izanami e Izanagi foram viver.
Nasceram então outros deuses: Amaterasu, a deusa do Sol, que cuidava do céu; Tsuki-Yomi, o deus da Lua, que recebeu o reino da noite; e Susanowo, que deveria governar os mares. Mas Susanowo não queria ser o deus dos mares: queria cuidar de Yomi, a Terra da Tristeza, mas não teve permissão para isso.
Susanowo ficou furioso e começou a criar tempestades que castigavam a Terra, causando destruição. Numa dessas tempestades, a casa de Amaterasu caiu, deixando a deusa apavorada. Amaterasu escondeu-se numa caverna, não saindo mais de lá. Porém, como ela era a deusa do Sol, o mundo ficou no escuro.
Os outros deuses pediram à deusa Uzume que dançasse, para tentar fazer Amaterasu sair da caverna. Ela deveria apresentar uma dança engraçada, que fizesse todos os deuses rirem, forçando Amaterasu a sair da caverna. Mas...
Uma pedra caiu do céu e atingiu Uzume, que desmaiou.
E agora? Como continuar o mito interrompido?

MITO do DILÚVIO - Brasileiro

Sumé, um antigo patriarca, tinha dois filhos: Tab-Moi-Inda-Ré e Aricute. Tab-Mói-Inda-Ré era bom e trabalhador. Ensinava os filhos a pescar, plantar e respeitar as tradições de seu povo. Aricute, ao contrário, era autoritário e não gostava de trabalhar. Achava o irmão um covarde por não gostar da guerra.
Certo dia, quando Aricute atormentava o irmão, Tab-Mói-Inda-Ré, contrariando sua existência pacífica, ficou tão nervoso que bateu o calcanhar no chão com uma força incrível, fazendo um buraco de onde começou a jorrar água.
A água foi tanta que provocou um dilúvio e inundou todas as terras! Pessoas, animais e plantas morreram afogados pelo aguaceiro... Para salvar-se, Tab-Mói-Inda-Ré subiu em uma palmeira, e Aricute em um pé de jenipapo.
Quando o dilúvio acabou, a água deveria descer pelo mesmo buraco de onde começara a jorrar, para que Tab-Mói-Inda-Ré, Aricute e suas famílias pudessem descer das árvores, recomeçando suas vidas. Mas...
Uma pedra atirada pelo menino havia tampado o buraco.
E agora? Como continuar o mito interrompido?

MITO DE HUTU - Maori (Polinésia)

Hutu era um jovem maori muito bonito e hábil com as armas. Sua beleza e coragem impressionaram a princesa Pare, a ponto de ela se apaixonar por ele. Hutu, porém, arrogante, não deu importância ao amor de Pare. A princesa acabou morrendo, humilhada e abandonada por seu amor.
Somente então Hutu percebeu que também amava Pare. Por estar arrependido e porque todo o povo maori o culpava pela morte da princesa, Hutu decidiu ir buscar a alma de Pare no Mundo Inferior, na Morada dos Mortos.
Para conseguir isso, ele pediu a ajuda de Hine-Nui-Te-Po, a Grande Senhora da Noite, pedindo-lhe que indicasse o caminho da Terra das Sombras. E para entrar nas boas graças de Hine-Nui-Te-Po, Hutu decidiu oferecer um presente à Grande Senhora da Noite: ia dar-lhe sua preciosa clava. Mas...
Uma pedra que caiu do céu quebrou a clava em muitos pedaços.
E agora? Como continuar o mito interrompido?

MITO DO MINOTAURO - Grego

Numa guerra, a cidade de Atenas ficou sob o jugo de Creta. O rei Minos, de Creta, exigiu que Atenas lhe pagasse tributo, e lhe mandasse de tempos em tempos sete rapazes e sete moças para serem sacrificados ao Minotauro, um monstro antropófago com corpo de homem e cabeça de touro.
Minos havia trancado o monstro no grande labirinto de Creta, um lugar imenso e confuso, de onde quem entrava jamais saía, e terminava devorado pelo Minotauro. Mas Teseu, filho do rei Egeu, achou que era hora de acabar com aqueles sacrifícios. Certo ano, quando um navio partiu para levar os jovens condenados a Creta, Teseu se disfarçou e foi com eles.
Ao chegar a Creta, os sete rapazes e as sete moças foram exibidos diante do povo e do rei; no dia seguinte seriam jogados no labirinto.
Ariadne, a filha mais jovem do rei Minos, apaixonou-se por Teseu. Seu intuito era ir ensinar a Teseu um modo de escapar do labirinto de Creta. Mas...
Uma pedrada impediu que Ariadne fosse ao calabouço para ajudar Teseu.
E agora? Como continuar o mito interrompido?

O CAMINHO DAS PEDRAS: participe dessa aventura!


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